uma carta. longa.
e bem demorada de ler.
Hoje é dia 20 de maio. Hoje você completa mais 1 ano de vida. E eu sentei pra escrever isso porque, sinceramente, nenhum presente comprado conseguiria dizer o que eu preciso te dizer hoje. Não cabe em caixa, não cabe em bilhete pequeno, não cabe em três palavras de áudio no WhatsApp. Então eu fiz um lugar inteiro pra você — esse aqui — e a gente vai descer juntos, devagar, do meu jeito.

Antes de tudo, queria que você soubesse de uma coisa: você não é só uma pessoa que eu amo. Você é a prova viva de que algumas pessoas chegam na vida da gente e simplesmente recalibram tudo. Eu existia antes de você — claro que existia. Mas, sinceramente, não lembro direito como era. E não faço questão de lembrar.
Tem um momento exato em que a gente percebe que se apaixonou — e não é no primeiro olhar, nem na primeira conversa. É num instante qualquer, daqueles bobos, em que você tá fazendo qualquer coisa (rindo de alguma besteira, brigando com gente aleatória no Brawl Stars, comendo brownie de boca cheia) e o pensamento "essa pessoa é incrível" simplesmente aparece. Comigo aconteceu várias vezes. Acontece ainda hoje. Toda semana. Quase todo dia, pra ser honesto.
Loira, com aquele olho claro, e um sorriso que devia ter sido protegido por algum tipo de lei internacional. Isso é o que qualquer um vê na primeira meia hora. Mas é só a casca — e a casca já é absurda. O que poucas pessoas conseguem ver depois é o que eu tive a sorte de ver de perto: uma empatia que sente antes da gente entender, uma atenção que faz qualquer pessoa se sentir importante, e essa coisa rara que você tem de simplesmente acreditar nas pessoas.

Você é cheirosa de um jeito que parece truque. Tipo, eu já cheguei a pensar que era propaganda — que tinha uma fragrância patrocinada saindo de você. Não tem. É você mesma. E isso é injusto com o resto da humanidade, mas eu, por mim, agradeço diariamente.
Tem dia que eu te olho fazendo coisa nenhuma — sentada no sofá com cara de quem tá decidindo se assiste Gilmore Girls ou põe um anime novo na fila — e eu fico um pouco perdido. Porque você não tá tentando ser bonita. Você só é. E isso é uma das coisas mais bonitas que existem: gente que não precisa tentar.

E você é esforçada. Esforçada do tipo que não espera as coisas acontecerem — vai atrás. Tem dia que eu fico te olhando se virar entre dez tarefas e penso "como ela faz tudo isso?". Estuda, arruma tempo pra família, pra mim, pra um banho quase fervendo, pra três episódios de anime e meia hora de Brawl Stars antes de dormir. Você é uma usina. Eu juro que é genético, porque humanamente não dá conta.
Você adora hambúrguer com cheddar — não é só comida, é praticamente um ritual. Você fala do brownie depois do almoço com a mesma intensidade que outras pessoas falam de viagem internacional. Coxinha pra você é categoria gourmet. Banho quente, quase fervendo, é inegociável — o aquecedor da sua casa devia ter um seguro próprio. Pagode no domingo, samba na cozinha, anime de madrugada. Você tem um manual de viver que faz sentido só pra você, e eu acho a coisa mais bonita do mundo.

Eu adoro essas coisas em você. Adoro porque cada uma delas é uma janelinha pra entender quem você é. E quanto mais janelas eu abro, mais bonito o quadro fica. Você é plural — tem dia que é a Lorelai falando mil palavras por minuto, tem dia que é a protagonista do anime que aceita o destino, tem dia que é só uma menina cansada querendo banho quente e brownie. E todos esses dias são, de algum jeito, o melhor da minha semana.
E tem isso, que poucas pessoas notam, mas eu noto sempre: o jeito que você fala da sua família. Como você se importa de verdade. Como você nunca esquece de ninguém. Pessoa que cuida bem dos seus próximos é pessoa que vai cuidar bem do mundo, e do que tiver perto dela. E eu fico feliz, num nível meio bobo, de estar nesse círculo.
Sua empatia chega antes de você. Tipo, ela entra na sala primeiro. Tem hora que eu nem consigo terminar a frase — você já entendeu, já reagiu, já tem uma resposta pronta. Você não aprende as pessoas, você lê. E ler gente é o tipo de inteligência que nenhuma escola dá. Você veio com isso instalado. Veio de fábrica.

Você se importa de um jeito que eu queria conseguir copiar. Mas acho que não dá — empatia desse nível não se aprende, se herda, se traz junto. Eu só posso, na minha posição privilegiada de quem te tem perto, tentar agradecer por receber isso todo dia.
Agora deixa eu te contar uma coisa meio difícil de explicar, mas tenta acompanhar: você muda quem eu sou. Não no sentido ruim — você nunca tentou me transformar em ninguém. Você só está aqui. E eu te olho, e quero ser melhor. Tipo automático. Não tem esforço, não tem pressão, não tem nada disso. Você é só uma pessoa boa demais pra eu continuar sendo medíocre perto.
Você é viabilizadora. Das minhas ideias, dos meus planos, dos meus dias chatos que ficam menos chatos depois de uma ligação sua. Você não só apoia — você acredita. E isso muda tudo. Tem gente que torce de longe, tem gente que comenta, tem gente que opina. Você empurra. Você bota a mão. Você acha que vai dar certo antes de eu mesmo achar. Isso é viabilizar a vida do outro num nível que poucas pessoas chegam.
Você é a minha razão de querer ser melhor — e isso, hoje, é a maior coisa que alguém pode ser pra mim.

E tem as coisas pequenas que eu guardo. A risada que sai meio engasgada quando você acha algo muito engraçado. O jeito que você fala "tá bom" quando na verdade não tá nem um pouco bom. A cara concentrada quando o Brawl Stars começa a apertar. O cheiro do seu cabelo molhado do banho quente. O som da sua voz quando você tá quase dormindo. Coisas que ninguém mais nota. Que ninguém mais teria como notar. Mas eu noto. E guardo tudo.
Eu acho que a gente fala muito sobre amar grandes coisas. Aí cresce e descobre que amar é, na maior parte do tempo, pequenas coisas com a mesma pessoa repetidas várias vezes. É comer hambúrguer duas vezes por semana sem nunca cansar. É o mesmo pagode tocando porque um dia ele significou algo. É ser bobo junto, no mesmo lugar, por muitas horas. E eu, sinceramente, não quero outra coisa.
Pensa que coisa. Você ainda nem chegou no melhor da vida e já é a pessoa mais inteira que eu conheço. Tem gente que vive 40 anos e não constrói metade do que você já construiu por dentro. Não tô falando de currículo, dinheiro, dessas coisas. Tô falando de caráter. De saber cuidar. De saber estar. De saber ser presente quando o outro precisa.
Anos atrás, alguém botou você no mundo. Em algum momento daquele dia, você fez sua estreia. E o mundo girou em torno disso por uns minutos. Hoje, em alguns anos depois, no mesmo dia, eu fico pensando que ali, naquele exato momento, começou a contar o relógio que ia me levar até você. Não tenho como agradecer de tamanho certo. Então faço esse aqui — esse site, essa carta, essa coisa demorada — e espero que dê pra sentir o tamanho da gratidão.
deixa eu te mostrar uma coisa…
⟡ a nossa música ⟡
Sabe o que eu quero pra você nesses próximos anos? Quero que você acorde mais vezes com vontade. Quero que seus dias ruins sejam menos e os bons sejam mais altos. Quero que tudo que você plantou comece a render — você merece colher demais. Quero que sua família continue te orgulhando, e quero que você continue dando orgulho pra eles também, do jeito natural que você dá.

E quero estar lá pra ver tudo isso. Quero estar do seu lado quando der trabalho, quero estar do seu lado quando der certo, quero estar do seu lado quando não der nada — só pra te fazer companhia até dar de novo. Não tô prometendo perfeição. Tô prometendo presença. Acho que é o que importa.
Antes da gente continuar, separei uma brincadeirinha pra você. Tem um botão aqui embaixo. Toda vez que você clica, sai uma cantada. Algumas são bobas, outras são meio melosas, algumas talvez te façam revirar o olho. Mas todas foram feitas pra te arrancar um sorriso, que é a minha moeda favorita. Clica quantas vezes quiser. Não acaba.
⟡ um pequeno jogo ⟡
puxa uma cantada
cada clique é uma cantada nova. continua puxando — tem muitas, e nenhuma se repete enquanto tiver opção.
Logo abaixo, tem um pedaço importante: fotos nossas. Cada uma é um pedaço da gente. Tem sorriso bobo, tem cara feia, tem momento que ninguém mais ia entender, tem foto que só faz sentido pra nós dois. Cada uma é um motivo. Multiplicado por todos os outros que ainda vão existir e que a gente ainda nem viveu.